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terça-feira, 21 de junho de 2016

Sobre Ayn Rand



The Nightingale - René Magritte
"As riquezas pintam o homem, e com as suas cores cobrem e escondem não apenas os defeitos do corpo, mas também os da alma." (Boccaccio, Lettere, a Pino de' Rossi).

"O amor-próprio é o maior de todos os aduladores." (F. la Rochefoucauld, Maximes, V.2)

Ayn Rand foi a intelectual em voga após a crise de 2008, sendo lançado aqui um de seus livros mais conhecidos: "A Revolta de Atlas". Segundo muitos pensadores, é a "Bíblia" do pensamento liberal na segunda metade do século XX.
Ao fazer a pesquisa sobre a autora, pela internet, percebi que as indexações iniciais não trazem diversidade de crítica, mas na sua maioria matérias apologéticas. Compulsando um pouco mais e refinando com o termo chave "crítica" ou "resenha", encontramos alguma coisa. O primeiro verbete em destaque é o da Wikipédia, que a respeito da autora é demasiado superficial. Por aqui dá-se a impressão de realmente tratar-se de uma intelectual. O que é falso. Basta ler a entrevista realizada pela Playboy em 1964 e assistir à de Mike Wallace, em 1959, para constatar o discurso ideológico-falacioso daquela autora - uma filosofia (?) carente de fundamentos e que envergonharia mesmo os autores  liberais mais conhecidos, tal como Adam Smith - para fazer jus a essa corrente de pensamento, que hoje em dia, considerando seus defensores atuais, não nos diz mais nada.
Ayn Rand nasceu ainda na Rússia como Alisa Zinovyevna Rosenbaum, foi para EUA após a Revolução Russa bolchevique. Estudou filosofia em São Petersburgo. Nos EUA começou a trabalhar no cinema, nos estúdios de  Cecil B. DeMille.
Um estudo desinteressado aconselharia a ler a obra da autora, mas as premissas em que se baseiam desestimula qualquer intelectual sério, pois são muito explícitas em determinados pontos muitos controversos. Eu enunciaria três básicos:
1 - A classe produtora de riqueza são os capitalistas, empresários - eles deveriam ter liberdade total, sem interferência do governo;
2 - O homem deve mover-se pelo egoísmo e não pelo altruísmo - não devemos nos sacrificar pelos outros; não deveríamos pagar impostos;
3 - (Base de tudo, inclusive de 1 e 2) que o homem deve guiar-se exclusivamente pela razão;
Provar isso com apenas obras de ficção é possível, mas acredito que tal coisa seja de difícil realização. O que separa Marx de Balzac? O primeiro indica todas as suas fontes, diferentemente do segundo. Mas isso é só o começo. A obra de Balzac ainda possui todo o seu valor devido à verossimilhança e à crítica social. Não sei se encontramos isso em Rand, pois seu "objetivismo" é todo calcado em crenças e afirmações que seriam muito válidas na literatura de auto-ajuda, nada mais. Em todo caso, reafirmo, as premissas acima são explícitas e duvido que a autora as demonstre em sua obra. Pelo contrário, parece-me que ela quer - assim como incorreram nesse erro muitos autores - mostrar e não demonstrar.
Em todo caso, fico devendo algo mais consistente, da minha parte. Investigações para o futuro. Por enquanto, deixo as indicações abaixo, do que eu consegui selecionar de melhor:

1-A entrevista para a Playboy:
2 - Do site Diário do Centro do Mundo:
3 - Do site Esquerda Republicana:
4 - Do site Revista Dita & Contradita:
5 - Do site Instituo Ordem Livre (de tendência liberal e mais favorável à autora):

Uma entrevista de 1959, concedida à Mike Wallace, onde as ideias de Rand são expostas como uma "filosofia inovadora e desconhecida". De fato, poderia chocar um pouco à época, que não estava preparada para esse ultra-liberalismo, muito atraente nos dias de hoje:

É considerada hoje uma "libertária", assim como são denominados alguns ativistas de hoje em dia que recebem dinheiro de ONGs suspeitas. Então cabe uma questão: foi uma intelectual financiada pela CIA? Vamos investigar mais.


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