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domingo, 27 de junho de 2021
Do tráfico ao prato - Agência Pública
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
sexta-feira, 14 de maio de 2021
O porquê de assistir à série "Grande Guerreiro Otomano" (Ressurrection, Ertugrul).
...a poesia é mais
filosófica e mais elevada do que a história, pois a poesia se ocupa mais do
universal, ao passo que a história se restringe ao particular... (Aristóteles, Poética, 1451b5)
Série turca que foi apresentada em forma de novela, tais como as nossas − quando nos bons tempos, em que se empregavam escritores novelistas de alto nível, como Dias Gomes.
Um bom argumento a favor da questão, que apresento já de pronto, é o de poder entrar em contato com uma dramaturgia e
uma cultura bem diferente da nossa. E por dramaturgia entendo aqui no
sentido amplo: a arte de representar − aquilo que Aristóteles denominava imitação
da ação (Poética - 1448). Em
outras palavras: o modo de representar dos atores, a expressão de seus rostos,
a linguagem corporal e a simbologia dos gestos; a direção da ação; o roteiro da
ação; a gravidade do drama, se realista, se romântico, se outra coisa.
Ressurrection é romântico, assim como a maior parte da
dramaturgia contemporânea ocidental. Ao menos para aquelas produções mais
comerciais, encenadas no formato de
narrativa mais clássico e onde a figura do heroi se destaca.
Esta série (Dirilis Ertugrul, no original turco) não foge muito às regras comerciais, mas é possível perceber algumas (boas) diferenças − e para isso é preciso paciência para assistir aos primeiros capítulos e avançar nas cinco temporadas, de mais ou menos cem capítulos cada. Como eu já disse, trata-se de uma novela feita para a TV. Há cenas de muito choro, muito sofrimento, muito drama mesmo; um alívio: não chega nem perto dos dramalhões mexicanos. E há momentos de muita ação, lutas bem coreografadas, tensão e suspense bem ao gosto Hollywood. Mas com toques de uma outra dramaturgia, bem menos canastrona que as norte-americanas.
Também como as
séries ocidentais, há aqui um forte conteúdo ideológico. E é menos pelo motivo
religioso que o político: uma certa ênfase
nacionalista com afirmação de valores culturais,
sociais e religiosos.
Os turcos aqui lutam por espaço, condicionados em uma geografia marcada por migrações constantes, seja pela busca de novos pastos, seja pelo crescimento demográfico. Nessa dinâmica, há o enfrentamento dos Cruzados (especialmente os Templários) de um lado e dos mongóis de outro, um a leste outro a oeste.
Ressurrection é uma produção
que se encaixa bem no projeto político de Erdogan, de edificação nacional, com apelo
religioso[1].
Mas há nuances. A
religião, embora uma constante, é apresentada de modo moderado, desfazendo visivelmente
alguns estereótipos criados e imaginados por nós, não muçulmanos. Presente também
a ciência, mais desenvolvida aqui neste mundo islâmico que no Ocidente Medieval
Cristão. Um bom momento dos episódios são as aparições de Ibn Arabi, sábio filósofo da Andaluzia, cuja obra ainda não está
totalmente estudada e elucidada, segundo a Wikipédia [2]. A conferir.
A série, enfim, é uma
ficção, uma bela suposição dos fatos que poderiam ter acontecido naqueles tempos (ao
menos onde nossas fontes alcançam). No final da bela abertura de apresentação da série há esta advertência: "histórias e personagens desta obra foram inspirados em nossa história". Quem é historiador ou domina o mínimo de história sabe ou precisa saber que as fontes, escritas ou arqueólogicas, sobre esses séculos XII e XIII são mínimas. E as existentes são, muitas vezes, duvidosas, com acréscimos ou supressões. Não há como saber ao certo seus detalhes.
Mesmo as aparições de ibn Arabi na história são uma incógnita. O que é certo para nós é que os turcos viviam em tribos, eram nômades e disputavam o espaço entre si; realizavam um comércio com o mundo muçulmano tanto quanto com o cristão e estabeleceram muitos entrepostos comerciais, garantidos por associações de tribos; combateram os Cruzados, a oeste, quanto os Mongóis, a leste; combatendo estas frentes, unificaram-se sob Osman, filho de Ertugrul ("Arturo" é o som que parece ouvirmos), garantiram a ocupação de seus territórios e avançaram, durante séculos, rumo ao Império Bizantino, fazendo-o cair sob Mohamed, o então sultão no século XV. Se Osman é mais importante que Ertugrul, não se pode duvidar que este preparou o terreno para a unidade dos turcos, sendo assim um grande líder guerreiro.
A vantagem de
uma série assim tão longa é a de perceber a complexidade do processo. Toda
construção de uma identidade é uma elaboração lenta, admite um toque
artificioso, e necessita de um discurso preciso e eficiente em torno da
legitimidade da união. A montagem da série em forma de novela permite-nos a
imagem desse quadro.
Mas vale a advertência deste humilde historiador: a história é mais modesta que sua crônica, mas muito mais complexa que seu resumo.
Por tudo isso vale
a pena assistir à série. Até o fim. E capítulo por capítulo.
Notas.
[1] https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44599658
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibn_Arabi
Site confiáveis sobre história islâmica e islamismo:
https://historiaislamica.com/pt/quem%20foi%20ertugrul/
https://iqaraislam.com/o-califado-fatimida
https://iqaraislam.com/licoes-ertugrul
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
sexta-feira, 7 de maio de 2021
O valor do trabalho em BigMac
O valor do trabalho no Brasil é algo muito baixo. Todos nós sabemos. Observemos a tabela abaixo, que qualquer um pode compreender facilmente.
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Big Tech: ascensão dos dados e morte da política.
MOROZOV, Evgeny. Big Tech: a ascensão dos dados e a morte da política. Trad. Cláudio Marcondes. São Paulo: Ubu Editora, 2018.
Trata-se de uma reunião de artigos escritos
pelo autor desde 2014. Segundo Ronaldo Lemos (orelha do livro): "Morozov
é uma das vozes mais necessárias para se pensar o papel da tecnologia
hoje...".
Crítico da "indústria" do Vale do
Silício, Morozov não envereda, neste livro, por caminhos fáceis para refletir
sobre "inovação", "empreendedorismo", "economia
compartilhada", "IA" (Inteligência Artificial), "Big
Data" e outros tantos termos derivados das soluções tecnológicas. Na visão
do autor não será a tecnologia, especialmente a de softwares e aplicativos, que
resolverá nossos históricos problemas. Problemas políticos exigem resoluções
políticas. O maior inconveniente das
soluções por aplicativos e Big Data é que estas se voltam quase exclusivamente
para soluções individuais e não coletivas. A política como solução de problemas
públicos ficou esvaziada pelo discurso de que tudo pode ser resolvido pela
tecnologia. Ora, não só isso é improvável como não seria desejável. Improvável
porque as soluções tecnológicas advindas do Vale do Silício buscam resultados econômicos,
não sociais. Não desejável porque os verdadeiros problemas nunca são de fato
resolvidos: o desemprego, a precarização da vida e da saúde, o empobrecimento,
entre outras mazelas. E mais: as novas tecnologias aplicadas contribuem para um
déficit democrático cada vez mais maior, de uma vez que o espaço público é
constantemente reduzido e o consumismo, cada vez mais exacerbado, induz ao
isolamento entre os seres, criando verdadeiras "cercas invisíveis. Ao
invés de conectar, as redes terminam por separar as pessoas.
Há ainda o problema da vigilância do
cidadão: a observação contínua dos indivíduos, cujas escolhas são orientadas
por algoritmos, permite também a vigilância estatal pelo rastreamento de dados.
As fake news, subproduto das empresas de tecnologia de dados, tornaram
quase nulo o debate público e democrático.
Enfim, as opções tecnológicas não vieram
para "salvar" o mundo dos problemas. Ao contrário: elas se aproveitam
dos problemas estruturais do capitalismo −̶
como o dos transportes, por exemplo −̶
para obter lucros, enormes lucros. Não será com mais tecnologia que
iremos resolver nossos problemas, mas com política e decisões democráticas para
as grandes questões do momento, tais como a do meio ambiente, a segurança, a
desigualdade e outras tantas.
Evgeny Morozov, nascido na Bielorrúsia em
1984, é formado em Economia e Administração de Empresas pela AUB −̶ American University in Bulgaria. Formou-se
PhD em História da Ciência na Universidade de Harvard em 2018. É autor de
vários livros na área do solucionismo tecnológico.
Ronaldo Lemos é advogado formado pela USP e com mestrado pela Harvard. É professor e pesquisador na área de tecnologia e direito digital. (informações da Wikipédia)
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
sábado, 20 de março de 2021
Desconstruindo Jeca. Uma leitura de Urupês.
LOBATO, Monteiro. Urupês. São Paulo: Globo, 2007 (1918).
Urupês, 1918. Primeira obra de Lobato, mas na
verdade, uma reunião de contos e artigos
já escritos desde 1914, quando já enviava cartas para uma seção do Jornal O Estado
de São Paulo. Os contos, publicados numa revista −̶ Revista
do Brasil, 1916 −̶ seriam reunidos, juntos aos
artigos, no livro Urupês. Obra que venderia bem, a considerar os números
de época, especialmente após uma menção à figura do caboclo por Rui Barbosa
numa de suas palestras.
Uma leitura atenta do conto "Urupês"
não escapa à consideração de um juízo no mínimo preconceituoso de Lobato. Não é
possível, no contexto da descrição, identificar uma intenção puramente
ficcional. Mesmo porque "Urupês" foi enviado como carta ao jornal O
Estado, em seguida de "Velha praga". Nesta, atenta para o problema
das queimadas; naquela, atribui a culpa ao caboclo. Embora possua uma aparência
de um conceito sociológico, devido aos traços acentuados da figura do caboclo,
na verdade trata-se de um prejuízo, pois a descrição é feita sem nenhuma
reconstrução, qualquer que seja ela. E, como dissemos, o caráter ficcional é
irrelevante, posto que também não há nenhuma construção. O conto é exposição
viva da observação direta do autor, quase nada mais. Se houver qualquer dúvida
quanto a isso, que se leia atentamente, repito. Mas o próprio Lobato nos diz:
"Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na
realidade!"
(p.170)
E por aí vai. Muito bem escrito, observe-se.
Assim como todos os outros contos. Mas neste em especial é possível identificar
algumas ideologias de época, ainda fortemente vigentes, tal como a da
degeneração das raças. Jeca é um caboclo, mestiço de branco com índio, segundo
tal pensamento. E da "mistura de raças" teria se sucedido essa figura
que Lobato tanto execra. E o pior: o sangue branco teria origem também impura.
Vejamos este trecho:
"Dia virá em que os veremos [os caboclos],
murchos de prosápia [orgulho], confessar o verdadeiro avô:
−̶ 'Um dos
quatrocentos de Gedeão trazidos por Tomé de Souza num barco daqueles tempos,
nosso mui nobre e fecundo "Mayflower".' (p.169)
Gedeão é uma figura bíblica, um dos juízes de
Israel que teria libertado seu povo da invasão estrangeira, à frente de
trezentos seguidores (Juízes, cap. 7 da Bíblia). Lobato faz coincidir, embora
mencione quatrocentos, uma e outra coisa, simbólica e real −̶ os que
aqui desembarcaram, muitos em degredo, eram descendentes de judeus, agora
denominados "cristãos novos". É essa assimilação que sustenta também
a mítica dos trezentos ("trezentos deputados bandidos", etc) e a
mítica de que aqui se desenvolveu uma colônia de bandidos, já que de
"degredado" para "ladrão" é um deslocamento muito fácil. "Nosso
mui nobre e fecundo" é uma expressão de plena ironia cínica.
Obedecendo à "lei do mínimo esforço" o
caboclo, segundo Lobato, é refratário ao progresso:
"Seus remotos avós [os tais quatrocentos de Gedeão] não gozaram
maiores comodidades. Seus netos não meterão quarta perna ao banco. Para quê?
Vive-se bem sem isso."
(p.171)
Para Lobato o caboclo é tão preguiço que constrói
um banquinho com apenas três pernas, a fim de evitar maiores esforços. E
reforça logo em seguida:
"Da terra só quer a mandioca, o milho e a cana. A primeira, por
ser um pão já amassado pela natureza. Basta arrancar uma raiz e deitá-la nas
brasas. Não impõe colheita, nem exige celeiro. O plantio se faz com um palmo de
rama fincada em qualquer chão. Não pede cuidados. Não a ataca a formiga. A
mandioca é sem-vergonha." (p.172)
O caboclo, diz Lobato, é tão degenerado que seria
digno de um estudo de Silvio Romero. Bem conhecemos este: defensor do
evolucionismo à Spencer, sua obra é praticamente toda calcada nessa filosofia
[1].
Por fim, o livro Urupês, diferentemente do
conto, nos impõe outras observações. E outras contradições emergem, inclusive
contra o próprio conto homônimo. Mas esta, bem como a evolução intelectual de
Monteiro Lobato, é outra história. O que importa reter aqui é que este conto
"Urupês" é representativo de um novo marco no debate intelectual em
torno da mestiçagem. Debate que se perfilaria por todo o século XX, quiçá ainda
entre nós.
Notas.
[1]SCHWARCZ,
Lilia Moritz. O espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras,
1993. Cap. 1.
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
sexta-feira, 5 de março de 2021
O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura
No estilo de
romance policial, Padura reconstroi o assassinato de Trotski por Ramon
Mercader, ex-soldado revolucionário na Espanha republicana. Contratado pela
NKVD, Mercader, antes um ingênuo revolucionário, torna-se uma máquina de
obedecer e é por suas mãos que morreria Trotski, perseguido pelo Stalin ao
tempo de seu isolamento no poder, eliminando antigos e novos adversários. Não
da revolução, necessariamente, mas da concorrência pelo poder soviético.
Comentário.
Por meio de qual
alquimia um revolucionário se transforma numa máquina de matar e elimina outro
revolucionário? Como um bravo e romântico revolucionário é desconstruído e tornado num assassino? Como
o maior revolucionário da história é acuado até a última de suas forças e
eliminado em sua própria residência?
Essa é a história
de lutas e traições da luta, mas também da espiral revolucionária comandada
pelos bolcheviques, que souberam lidar com os reveses externos, mas também não
souberam comandar a luta e a construção interna da URSS. Stálin é apenas o
corolário dessa história.
O mérito de
Leonardo Padura é ter descrito essa história em romance policial,
magistralmente escrito de acordo com este estilo.
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
As cidades invisíveis. Italo Calvino.
CALVINO, Italo. As Cidades
Invisíveis. Trad. Diogo Mainardi. São Paulo, Companhia das Letras, 1990
(1972). == RESENHA CRÍTICA ==
I
Marco Polo, por meio de missões
diplomáticas, oferece suas descrições das cidades do Império Mongol para o
grande Kublay Khan, que quer ter uma ideia da grandeza e extensão da obra
imperial. As cidades, uma vez conquistadas, são mantidas no plano ideal e
administrativo do império. Por isso são "invisíveis", isto é,
atualizadas por sua descrição narrativa. O segredo de Marco Polo para manter
sua audiência imperial atenta é justamente a composição narrativa das cidades,
ou seja, o modo de contar especial do narrador. E é pela descrição narrativa
que este livro também consegue manter atento (e muito) o leitor. Qualquer
leitor, acredito.
Todas as cidades podem ter algo em comum,
mas certamente todas elas possuem algo que lhe é específico, peculiar, podendo
dessa maneira organizar as vidas de seus moradores e dirigir sua evolução. É o
que alguns arquitetos e filósofos diriam da "vida própria" de uma
cidade, soma de todas as interações de sua população. Ao que me parece, é
justamente aquilo que Marco Polo descreve ao grande Khan, mas de uma forma bem
incomum.
Walter Benjamin afirma em um de seus textos que a arte de narrar estava em vias de extinção. Ao menos no tempo em que escreveu O Narrador. Era o tempo do pós Primeira Guerra, a Grande Guerra, como se costumava dizer. Assim, "...os combatentes voltavam mudos do campo de batalha..." [1], isto é, pobres em narrativa devido ao drama, ao sofrimento, à dor que não queriam reviver, não queriam contar. Uma experiência dessa exige distanciamento para ser narrada, seja no tempo e no espaço. Mas uma vez contada, não será heroica, será trágica, pois:
"...nunca houve experiências mais radicalmente desmoralizadas que a experiência estratégica pela guerra de trincheiras, a experiência econômica pela inflação, a experiência do corpo pela guerra de material e a experiência ética dos governantes." [2]
Então trata-se de uma interrupção da arte
de narrar que passa de pessoa a pessoa, de geração a geração.
O que Italo Calvino nos apresenta é o contrário disso. É arte de narrar, de contar uma história, no seu mais absoluto estado.
II
A obra é riquíssima em linguagem simbólica. Presta-se a muitas áreas, mas em especial pode ser a da arquitetura. Abaixo um link para uma resenha muito interessante extraída de uma revista on line. E possui um gráfico muito interessante das cidades:
https://vitruvius.com.br/index.php/revistas/read/resenhasonline/08.085/3050
III
Mais uma de arquitetura:
https://revistacult.uol.com.br/home/peruana-quer-ilustrar-cidades-invisiveis-de-calvino/
[1] BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas I. Trad. Sérgio Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1994. p.197
[2] idem, p.198.
Nasceu em São Paulo, em 27/02/1962. É graduado em Ciências Sociais, História e Filosofia pela USP; licenciado em Sociologia pela mesma universidade. Possui lato sensu em língua portuguesa. Já foi professor, programador e analista de TI. Aprecia muito literatura. Atualmente é servidor público estadual.






